Fernando Antonini

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Palmeira das Missões, Rio Grande do Sul, Brazil

* Qual é o assunto que você gostaria de ouvir no programa?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

9º Programa- Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

No programa de sábado, 28 de agosto, o debate proposto foi o tema do ano de 2010 da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla: Oportunidade, um sopro para ir além. Neste dia estiveram presentes a
diretora da APAE, Ana Elvira Taborda Amaral que se referiu ao papel da família na inclusão social dos alunos da APAE, uma vez que mesma deve desejar que este aluno esteja participando de modo efetivo no mercado de trabalho; e a equipe multidisciplinar da APAE, composta por:
assistente social Morgana Pavan, citou as características do seu trabalho no processo de inclusão dos alunos no mercado de trabalho, ainda falou sobre o Benefício de Prestação Continuada que em algumas vezes “acomoda” nossos alunos a suas realidades, sem buscar maiores crescimentos, por já possuírem meios financeiros de sustentar-se.
A fisioterapeuta Maria Antonieta Manfrin, que ao discorrer sobre o tema da semana colocou a importância de se pensar no papel da escola na questão da inclusão das pessoas com deficiência metal e múltipla, bem como, o papel da família que é base concretizadora deste processo, salientou que o desejo familiar deve ser respeitado, independente de qual seja ele, uma vez que, algumas famílias não compartilham desta proposta de inclusão e também relatou sobre sua experiência na escola e o crescimento da equipe multidisciplinar que nesta se insere, através da parceria da escola com o SUS que permitiu uma maior carga horária para e equipe e conseqüentemente a realização de um trabalho mais consistente . a
psicóloga Melina Lavallós Korsack que referiu-se a atual organização da escola no que se refere às oportunidades oferecidas aos alunos ressaltando os aspectos necessários para o desenvolvimento dos mesmos: físico, cognitivo, sócio-afetivo e vocacional. e o
terapeuta ocupacional Cleber Fernandes o qual ressaltou a importância da inclusão das pessoas com necessidades especiais na vida laboral, para que se possa investir no crescimento e desenvolvimento das mesmas, como seres participantes da sociedade, bem como, o papel da família nesse processo, enfocando que a pessoa com necessidades especiais deve ser inserida em um local que ela se adapte e esteja apta a exercer seu trabalho efetivamente..
Enfim, o debate gerou muitas indagações sobre o tema, deixando a proposta de um novo encontro para continuar este diálogo e o convite para que a sociedade conheça e inclua-se também na realidade da APAE.

Próximo programa abordaremos a questão das drogas. Estarão conosco a direção das escolas Paulo Westphalen e Carimela Bastos











terça-feira, 24 de agosto de 2010

8º Programa - Drogas, ação das escolas na prevenção

No programa de sábado dia 21 de agosto, o tema debatido foi novamente a questão das drogas. Estiveram no programa como convidados a Diretora da Escola Estadual Três Mártires Rosângela Ghellar acompanhada da aluna Ana Maria Malaquias de Quadros
Segundo a diretora
A nossa instituição sempre procura desenvolver projetos que envolvam esse tema. Esse ano, os alunos, que participam da Gincana da Unijuí juntamente com seu coordenador professor Gilberto Martins Júnior, desenvolveram um projeto de combate ao uso do crack que envolverá toda a comunidade escolar. Esse assunto também é trabalhado pelos professores em sala de aula.
Nós, educadores, temos consciência do nosso papel quanto à prevenção ao uso de drogas, mas o papel da família é fundamental. A família deve estar presente na vida do adolescente; os pais devem saber com quem seus filhos andam, o que fazem quando não estão em casa; ensinar limites, normas, o respeito à hierarquia; acompanhar a vida escolar de seu filho e ser um parceiro da escola. O que todos nós queremos, tanto pais como educadores, é que nossos filhos/alunos sejam cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, que amem a vida, que sejam felizes e que, principalmente, saibam fizer não a todo e qualquer tipo de droga tanto as lícitas (cigarro e álcool) quanto às ilícitas. Precisamos prestar mais atenção aos nossos jovens, ouvi-los mais e dar-lhes muito amor.
Gostaríamos também de parabenizar a Rádio Landel FM pelo programa Diálogo Aberto que, acreditamos, tem como objetivo principal trazer à tona temas que realmente interessem à comunidade e que possam trazer benefícios a ela.”

Também esteve a Diretora da Escola Jesus Maria José, Irmã Vanuza Silva acompanha da Psicóloga Ana Andréia Sawaris.
Ir. Vanuza explanou que existe um tripé de interações que pode contribuir para que nossos jovens e alunos optem pelo afastamento em relação ao uso das drogas, ou seja, o olhar da família, o acompanhamento dos pais, o diálogo, os limites e a religiosidade são elementos essenciais nesta caminhada ao não uso das drogas.
A psicóloga da Escola Ana Andréia, ressaltou que o Colégio vem a dois anos, baseado em pesquisas interna com a clientela da Escola, desenvolvendo projetos e instrumentalizando as famílias, pois acredita-se que é nesta parceria que avançaremos contra algo que é avassalador e tem destruído muitas vidas precocemente.
O Colégio Jesus Maria José inicia seu trabalho desde a Educação Infantil onde a valorização da vida é um bem maior e precisa ser cuidada da melhor forma por cada um.
Nesta perspectiva é importante ressaltar que a prevenção continua sendo, portanto, a vacina mais eficaz contra as drogas, sendo famílias e escolas fundamentais nessa luta pela vida.
Deste encontro resultou uma proposta de trabalho, a qual foi acolhida pelos presentes, o partilhamento de experiências de cada escolha, no que se refere a projetos e ações desenvolvidos, que deram e dão certo, e o processo preventivo ao uso de drogas onde cada escola poderá mostrar e compartilhar os benefícios de suas caminhadas.


















O termo Droga - Suscita a idéia de uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento, classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais. Essas drogas podem ser absorvidas de várias formas: por injeção, por inalação, via oral, injeção intravenosa ou aplicadas via retal (supositório).

Dados Importantes:
► Um levantamento publicado pelo jornal argentino Clarín, no ano passado, mostra que o Brasil é o 3º em uso de cocaína na América do Sul,

► “1,7% dos brasileiros matriculados no ensino médio já consumiram a droga.”
O Brasil perde apenas para a Argentina e para o Chile.

► Rio - Pesquisa da Unifesp - Universidade Federal de São Paulo : De acordo com o estudo, o Brasil tem cerca de 900 mil usuários da droga. Isso pode nos dar uma idéia de como o problema é grande.

► É verdade que a maconha não vicia? É mentira. A maconha vicia e provoca dependência psicológica, ficou constatado que 50% dos que provaram maconha ficaram viciados, isto é, de cada dez pessoas que experimentam maconha, cinco acabam viciadas nela. No caso da maconha existe um poder viciante de 50%; da cocaína, de 80%; do crack, da heroína e da morfina há um poder maior que 80%. É preciso considerar ainda que 14% da população em geral é suscetível a algum vício

► No Brasil,dependência de droga já é definida por médicos e políticos como grave problema de saúde pública ; apesar de epidemia, a rede pública de hospitais ainda ignora a doença, sendo raríssimas as vagas para internar usuários de drogas, para desintoxicação

► Na maioria das histórias, a primeira droga foi bebida alcoólica na infância ou na adolescência; depois, veio a maconha. Bebida alcoólica é definida como a porta de entrada para outras drogas. A maioria dos usuários de maconha e outras drogas começa experimentando bebida na infância ou na adolescência, revelam as internações nas clínicas de dependência química no país.

Gírias utilizadas por usuários de drogas

queimar um - fumarmocosar - escondercaretaço - livre de qualquer efeito da maconhasussu - sossegorolê - voltapifão - bebedeirarolar - preparar um cigarrocabeça feita - fuma antes de ir a um lugarchapado - sob o efeito da maconhabad trip - viagem ruim, com sofrimentosnóia - preocupaçãomarofa - fumaça da maconhatapas - tragadaspalas - sinais característicos das drogaslarica - fome químicamatar a lara - matar a fome químicamaricas - cachimbos artesanaispontas - parte final da maconha não fumadacemitério de pontas - caixinha ou recipientes plásticos usados para guardar as pontaspilador - socador para pressionar a maconha já enrolada dentro da sedadichavar o fumo - soltar a maconha compactada em tijolos ou seus pedaços e separar as partes que lhe dão gosto ruimsujeira - situação perigosadançou - usuário que foi flagrado fumandomocós - esconderijos de droga"pipou uma vez, está fisgado" (Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba, 6ª edição, Editora Gente)

"Quem é feliz não usa drogas." A tese, defendida pelo psiquiatra Içami Tiba em seu novo livro, Juventude & Drogas - Anjos Caídos, mostra aos pais que o perigo nem sempre vem de fora. Na maior parte das vezes, segundo o especialista, ele se encontra dentro da pessoa que desenvolve o vício, disfarçado de carências que, muitas vezes, pais poderiam suprir.

Não existe maneira de uma família se blindar contra a ameaça. Tiba, no entanto, acredita que é possível desmistificar o problema. "É preciso exigir responsabilidades dos filhos. As drogas não seduzem tão facilmente as pessoas que são cobradas", diz o psiquiatra.
Para Tiba, infelizmente os pais andam errando bastante na educação dos filhos. Confundem amor com permissividade. Querem fazer a compensação das necessidades que tiveram por meio das crianças. "Os pais estão criando os filhos para que usem drogas", polemiza.
Amar o filho incondicionalmente - e não só quando ele tira uma nota boa na escola - é importante, mas não é suficiente. O que importa, para o psiquiatra, é educar.
Uma boa educação pode tornar a ameaça menos provável, mas quem educa bem não pode se descuidar. Outras variáveis estão envolvidas na sedução: circunstância, curiosidade, falta de auto-estima, vontade de permanecer a um grupo.

Muitos pais acham que os transtornos familiares chegam ao fim assim que conseguem alimentar e educar os filhos. Como Tiba coloca em seu livro, mais do que falhas na educação, o consumo de drogas pode refletir uma série de insatisfações existenciais do jovem.

Apesar dos avanços comportamentais deste século, problemas com drogas na adolescência entre jovens de famílias de classe média e alta no Brasil se multiplicam. Então, tirando a problemática da falta de informação e recursos, onde estaria o principal erro dos pais e onde as escolas têm falhado nesses aspectos? O sr. defenderia a inclusão de uma matéria sobre comportamento em currículo, que abordaria esses temas em sala de aula?
Dr. Içami Tiba - Sobre drogas, a verdade é que nós estamos criando uma geração onde cada um faz o que lhe dá prazer – isso é errado. O jovem de hoje foi educado para usar drogas – é por isso que dizem que o que eu falo é polêmico. Os pais também têm de fazer o que é correto – se ele usa drogas não pode exigir que o filho não use. "Uso cocaína e é meu direito", dizem alguns adultos. É uma mentira, que contraria o conceito de saúde social. Pais alcoólatras e drogados prejudicam a família, a sociedade. Não há como ser pai ou mãe sem estar capacitado para tal. A escola também tem de entrar nessa luta. Os pais estão jogando responsabilidades para os professores e a escola acha que não tem de educar nesse sentido. Defendo a educação a seis mãos. As da escola, do pai e da mãe – desde que sejam coerentes. Escolas têm de incluir trabalhos sobre relacionamentos humanos. Os pais devem estudar sobre drogas – não é ler qualquer livro. Há aqueles que fazem apologia da droga, o que não é ético.

A mídia, principalmente a televisão, exerce uma influência forte sobre adolescentes com relação ao consumismo, a cultura do prazer pelo prazer, a erotização e a ausência de limites. Como o sr. aconselha educadores e pais a lidar e se contrapor a essa influência? Que papel a escola tem nesse sentido?
Dr. Içami Tiba - Acho que a mídia funciona assim porque tem mercado para isso que é oferecido. Ela não é muito culpada. Oferece o que é consumido. O consumo não é problema de uma pessoa e sim de todas as gerações. É uma questão social. É importante que cada família reaprenda a ver televisão. Esperar que a TV regule sua programação por sua ética é algo em vão. São empresas que visam lucro. Se o preço de um apresentador como o Ratinho cair é porque caiu a audiência. Casas onde cada um tem um aparelho de TV em seu quarto, multiplica a oferta para o consumo. Independentemente disso, cada família deveria ter uma visão crítica dos produtos e comportamentos oferecidos pela TV. A TV proíbe o diálogo, necessita da atenção visual do espectador. Mesmo assim, o costume de dialogar e trocar idéias deve ser alimentado na família – mesmo que seja sobre os programas assistidos. Não dá para ser uma sessão de ordens, onde os pais dão lições de moral e impõem seus pensamentos. Deve ser uma conversa gostosa, onde todos impõem seus pontos de vista. Os pais devem deixar os filhos falarem e falarem também. Assim estão ensinando que seus filhos devem aprender a pensar e a discutir, para usufruir da melhor maneira da informação e da globalização. As experiências devem ser compartilhadas. Isso fará os pais crescerem. O papel da escola entra em determinadas matérias, como estudos da atualidade brasileira, ou nos conteúdos transversais (assuntos vistos por diversas matérias em determinados ângulos). A TV seria um objeto de debate crítico em sala de aula. Por exemplo: o programa Você Decide. Para o jovem é importante ele ser participativo. Esse modelo de que o bom aluno é que aquele que absorve o que o professor fala, faz as lições, tira boas notas e não dá um pio é totalmente equivocado.

Visite o site do Dr. Içami Tiba: http://www.tiba.com.br/
E-mail: icami@tiba.com.br
Amor demais estraga: O psiquiatra Içami Tiba diz que os pais precisam ser duros para manter os filhos longe das drogas
Veja – Muitos pais que experimentaram maconha são tolerantes com os filhos que repetem essa experiência porque não acreditam que ela seja porta de entrada para drogas mais pesadas.
Tiba – Na minha interpretação, ela é, sim, porta de entrada para drogas mais pesadas. Mas a porta para o vício é mesmo o álcool. A primeira coisa que o álcool faz na pessoa é diluir seu superego, instância da personalidade que agrega, entre outros, os padrões comportamentais. A partir daí, o indivíduo faz apenas coisas de que tem vontade e não o que aprendeu que deve ser feito. Tem extrema dificuldade para fazer a coisa certa. Esbarrou, já quer brigar, não agüenta desaforos, fica violento. O jovem que já estava pensando em experimentar maconha, e não tinha coragem, quando ingere bebidas alcoólicas vai provar, pois aquele freio foi destruído pelo álcool. Como a maconha despersonaliza a pessoa, daí para a cocaína é um passo.

Veja – Mas o que devem fazer pais que provaram maconha e não se viciaram? Há os que fumam com os filhos e há os que proíbem.
Tiba – Fumar com eles, nem pensar. Senão depois vão jogar na cara dos pais que se viciaram por culpa deles. Os pais têm de falar que são contra, que tiveram sorte de não ter se viciado. Quando possível, citar exemplos de conhecidos que se prejudicaram muito, ou até morreram, por causa da droga. É preciso ser duro e proibir. A proibição pode não evitar que eles fumem, mas saberão que estão agindo contra a vontade dos pais. Quanto a estes, pessoas que no passado fumaram maconha e se deram bem na vida em geral não deixaram que a droga atrapalhasse a vida delas. São comparáveis a pilotos de Fórmula 1 que não morreram, apesar do risco que correm nas pistas. Paulo Coelho, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso, que admitem ter experimentado maconha, tornaram-se pessoas bem-sucedidas, mas são sobreviventes, assim como quem pratica esportes perigosos e não morre. Por outro lado, há quarenta anos, fumar maconha não era o objetivo em si. Fumava-se maconha e se queimavam sutiãs como forma de transgressão. Hoje, o uso da maconha é totalmente diferente. A maconha não é mais bandeira de coisa alguma. É comum ouvir papo furado do tipo "Fumo maconha porque sou livre". Está errado, pois quem é livre não precisa usar drogas.

Veja – O senhor é a favor da descriminação da maconha?
Tiba – Não. O Brasil não está preparado para uma medida tão radical. Não sou a favor de ficar prendendo usuários, mas também não sou a favor de liberar geral, pois, se os caras estão se perdendo com cerveja, imagine com maconha.

Veja – Por que o senhor diz que amor em excesso pode gerar filhos drogados?
Tiba – O amor sem limites deixa que se desenvolva demais o lado animal e instintivo do jovem, que passa a fazer apenas aquilo de que tem vontade. Para esse jovem, o que interessa é o prazer. A maioria dos pais faz de tudo para agradar aos filhos e eles aprendem a ter prazer sem fazer nenhum esforço. Aí, quando vão para a rua, logo encontram quem lhes ofereça um baseado, uma dose de prazer.

Veja – Quando os pais devem começar a desconfiar que o filho está usando drogas?
Tiba – A maioria só desconfia quando a performance do filho na escola piora. Aí, pode ser tarde demais, pois o rendimento escolar é uma das últimas máscaras a cair. Antes, já caiu a ética relacional, que se traduz na falta de respeito às pessoas. Há também uma diminuição do afeto. Antes, ele se mobilizava para ajudar os pais a resolver pequenos problemas, ficava preocupado quando a mãe tinha uma dor de cabeça. Depois, o mundo pode desabar que ele não está nem aí, como se fosse um pensionista da casa.

Veja – Como identificar os primeiros sinais dessa situação?
Tiba – Além do comportamento suspeito que já citei, há outros disfarces fáceis de ser percebidos. Em geral, usar incenso, perfumar o ambiente ou deixar o chuveiro ou o ventilador ligados o tempo todo são estratégias para acabar com a marofa, a fumaça da maconha. Deve-se prestar atenção também na fala dos filhos. Se o garoto começa a se preocupar muito com os horários de saída e chegada dos pais, é outro sinal de que pode estar aprontando alguma. É suspeito ainda quando o jovem diz que "todo mundo está usando maconha", numa tentativa de minimizar o problema. Na verdade, isso significa que ele está andando com usuários. Quando o jovem começa a dizer que maconha faz menos mal que outras drogas, então é porque já se tornou, ele próprio, um usuário. Ninguém defende o que não lhe interessa.

Veja – É possível blindar os filhos contra as drogas?
Tiba – A melhor proteção é criar condições para que ele tenha auto-estima e, desde cedo, informá-lo sobre os malefícios das drogas. Os pais não têm como controlar a vida do adolescente, mas devem patrulhar o filho quando houver motivo para desconfianças. O jovem se fechar no quarto, por exemplo, é natural. Está querendo privacidade. Mas, se tranca a porta, está colocando os pais para fora da vida dele. Privacidade a chave é expulsão dos outros. Isso os pais não podem permitir.

Veja – Em seu último livro, o senhor afirma que educar é diferente de criar. Qual a diferença?
Tiba – Os pais que educam têm como foco preparar os filhos para a vida. Os que criam acham que resolvem os problemas para eles. A maioria dos pais demora para fazer os filhos assumir responsabilidades. Por isso, é comum encontrar jovens que, apesar de bem-criados e bem nutridos, são mal-educados. São adolescentes que diante de qualquer situação adversa desistem ou partem para a ignorância.

Veja – Que valores os pais devem inculcar nos filhos?
Tiba – Os principais são disciplina, gratidão, religiosidade, cidadania e ética. Por exemplo, quando o pai dá um presente ou mesmo um bombom ao filho e ele sai correndo sem dizer um "obrigado", ou o diz sem olhar nos olhos, não vale. Tem de ser incisivo: "Filho, olhe nos meus olhos e agradeça". Assim mesmo, na bucha. Essa postura de cobrança pelos mínimos bons costumes, se for constante, vai surtir um efeito para a vida inteira.

Veja – O bom exemplo dos pais influencia também na formação ética?
Tiba – A maneira como o filho trata uma empregada é uma cópia fiel da forma como seus pais a tratam. Se o pai ou a mãe fala "Vamos rezar" e quando sai da igreja já xinga um transeunte, dá o direito de o filho questionar: "Então a espiritualidade só vale dentro da igreja?". Não adiantam apenas exemplos de boa conduta. Muitas vezes, o filho joga algo no chão e o pai pega, achando que está sendo exemplar. Está errado, pois o que o pai tem de fazer é obrigar o filho a pegar. De outro modo, ele vai achar-se no direito de jogar papel no chão da escola e não apanhar. Afinal, essa função é da faxineira.

Veja – O que o senhor entende por religiosidade é freqüentar igreja?
Tiba – É um sentimento instintivo do ser humano, que precede as religiões. Significa gente gostar de gente. Hoje em dia se valoriza muito pouco o respeito ao outro, independentemente do credo. Quando o filho maltrata o pai e este engole o mau trato sem reagir, dá uma grande lição de não-religiosidade. Quando o filho quebra um copo num momento de raiva, é comum o pai dizer: "Eu sei que você não fez por querer". Ao invés de poupá-lo e tirar a culpa do filho, o certo é fazer com que ele arque com as conseqüências de seu ato.

Veja – Adianta castigar ou cortar a mesada?
Tiba – Mais do que cortar a mesada, o importante é fazê-lo repor o que quebrou. Tirar dinheiro é muito fácil. O filho tem de se dar ao trabalho de comprar um copo igual no lugar do próximo brinquedo, por exemplo. É uma forma de chamá-lo a assumir a conseqüência pelo ato praticado. Castigo não resolve coisa alguma. Se aqueles rapazes de Brasília que queimaram o índio Galdino, em vez de presos, tivessem sido condenados a trabalhar durante um ano na seção de queimados de um hospital, o efeito pedagógico seria muito melhor. Na cadeia, até gozam de certas mordomias. Não devem ter aprendido nada lá.

Veja – Têm-se visto muitos casos de atrocidades cometidas por jovens de classe média, como alguns que mataram os pais. O que são esses casos?
Tiba – Quando um filho chega ao ponto de atentar contra a vida dos pais, o respeito já se perdeu faz tempo. Ninguém que ama mata assim de repente, por impulso. Essa tese é desculpa de advogado. A situação já estava complicada. Tanto que aquele pai que matou o filho em São Paulo, há dois meses, alegou legítima defesa e obteve o apoio da família. Imagine, nem a mãe lamentou que o pai tenha matado o filho! O rapaz já estava em um estágio tão ruim que seu pai se viu em um triste dilema: era matar ou morrer. Boa parte da culpa nesses casos é dos pais, que, incompetentes para dar uma boa educação, tentam compensar arcando com as conseqüências das besteiras cometidas pelos filhos.

Veja – Nesses casos, dá para dizer que a droga foi o principal combustível?
Tiba – Há uma corrente, com a qual eu não concordo, que defende que a droga apenas desperta o assassino que a pessoa tem dentro de si. Eu acho que não é assim. Quando começam a usar drogas, as pessoas perdem a ética. Depois, têm a afetividade alterada, piora o rendimento escolar e, só aí, o organismo começa a ser atingido. Os bons princípios são devastados bem antes pelas drogas, e a pessoa passa a pensar que pode tudo. Poder sem ética vira violência.
Veja – As teorias que o senhor prega foram colocadas em prática na educação de seus filhos? Tiba – Meus filhos não funcionaram como laboratório nem cobaia para minhas teorias, mas eu e minha esposa nos empenhamos bastante para torná-los capazes de enfrentar bem a vida. Em casa, nunca entregamos nada pronto para eles. Nosso lema sempre foi: "Quem sabe fazer aprendeu fazendo". Criamos uma espécie de contrato de conseqüência, ou seja: se produziam ou agiam bem, eram recompensados pelo esforço feito. Se não, sofriam a conseqüência.
Veja – O senhor os colocava de castigo? Batia neles?
Tiba – Não os castigava. Eu os ensinei a arcar com o ônus e o bônus de seus atos. Também nunca bati, mas, às vezes, quando algum fazia muita birra, eu dava uns gritões na orelha dele e estabelecia um prazo para ele mudar de idéia.

Mas no Brasil, nem acorrentando os próprios filhos, mães conseguem sensibilizar políticos e autoridades de saúde pública para o sofrimento que marca suas famílias

Prevenção continua sendo, portanto, a vacina mais eficaz contra as drogas, sendo famílias e escolas fundamentais nessa luta pela vida.

Prevenção Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O resultado final é que as pessoas estão consumindo cada vez mais drogas.
Usar drogas, significa em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil lutar contra o prazer, porque foi ele que sempre norteou o comportamento dos seres vivos para se autopreservarem e perpetuarem sua espécie. A droga provoca o prazer que engana o organismo, que então passa a querê-lo mais, como se fosse bom. Mas o prazer provocado pela droga não é bom, porque ele mais destrói a vida do que ajuda na sobrevivência. A prevenção tem de mostrar a diferença que há entre o que é gostoso e o que é bom.
Todo usuário e principalmente sua família têm arcado com as conseqüências decorrentes desse tipo de busca de prazer.
Pela disposição de querer ajudar outras pessoas, parte da sociedade procura caminhos para prevenir o maior mal evitável deste final de milênio.

Caminhos disponíveis
1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das drogas se as temerem. Para se criar o medo, basta mostrar somente o lado negativo das drogas. Pode funcionar para crianças enquanto elas acreditarem no adultos.
2. Das informações científicas - Quanto mais alguém souber sobre as drogas, mais condições terá para decidir usá-las ou não. Uma informação pode ser trocada por outra mais convincente e que atenda aos interesses imediatos da pessoa.
3. Da legalidade - Não se deve usar drogas porque elas são ilegais. Mas e as drogas legais? E todas as substâncias adquiridas livremente que podem ser transformadas em drogas?
4. Do princípio moral - A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise exatamente na juventude.
5. Do maior controle da vida dos jovens - Mais vigiados pelos pais e professores, os jovens teriam maiores dificuldades em se aproximar das drogas. Só que isso não é totalmente verdadeiro. Não adianta proteger quem não se defende.
6. Do afeto - Quem recebe muito amor não sente necessidade de drogas. Fica aleijado afetivamente que só recebe amor e não o retribui. Droga é usufruir prazer sem ter de devolver nada.
7. Da auto-estima - Quem tem boa auto-estima não engole qualquer "porcaria". Ocorre que algumas drogas não são consideradas "porcarias", mas "aditivos" para curtir melhor a vida.
8. Do esporte - Quem faz esporte não usa drogas. Não é isso o que a sociedade tem presenciado. Reis do esporte perdem sua majestade devido às drogas.
9. Da união dos vários caminhos - É um caminho composto de vários outros, cada qual com sua própria indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais satisfatórios.
10. Da Integração relacional - Contribuição para enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com as pessoas com as quais se relaciona (integração social) e com o ecossistema (ambiente), valorizando a disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania.

(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª edição)

Ir. Maria Vanuza
Diretora
Colégio Jesus Maria JoséPalmeira das Missões -


terça-feira, 17 de agosto de 2010

7º Programa - Drogas, como evitar?

No programa de sábado dia 14 de agosto, o tema debatido foi novamente a questão das drogas. Estiveram no programa como convidados Carlos Eugênio Villarinho Fortes que articula junto a comunidade a constituição do Conselho Municipal de Entorpecentes.
Ao longo dos últimos anos o Brasil sofreu um grande aumento do consumo de drogas. Infelizmente não houve uma mudança correspondente no vigor das políticas públicas que pudesse minimamente atenuar o impacto desse fenômeno na saúde pública. Nesse sentido, a criação do Conselho Municipal de Entorpecentes vem reforçar as estratégias de cobate ao uso abusivo de drogas, podendo funcionar com órgão articulador da rede municipal de atenção a essa questão. O Conselho - COMEN, em Palmeira das Missões está em fase de estruturação, devendo nos próximos meses iniciar suas atividades."
Também esteve no programa a Psicóloga Cláudia Corazza , que tem especialização na área de drogadição sendo colaboradora do Centro de Recuperação Leão de Judá.
Segundo ela, "a dependência química é uma doença que altera a estrutura e o funcionamento saudável do individuo. O alcoolismo ou a dependência de drogas não é falta de vergonha na cara ou um problema moral, é sim, uma doença crônica, progressiva e, na maioria das vezes, pode levar à morte.
A dependência química gera inúmeros problemas familiares e sociais como a violência, acidentes de transito, marginalidade, formação de gangues e desvio de conduta em adolescentes. O lugar da droga na vida dos jovens pode ser passageiro e momentâneo ou se tornar um problema crônico. Cabe enfatizar, que a atitude dos adultos não deve ser negligente e apenas considerar este ato como uma fase. É comum que os pais que já utilizaram drogas em sua adolescência não vejam problema nessa conduta de seus filhos, não prestam atenção que os tempos mudaram, as drogas mudaram, e a condição social e os valores do usuário também se alteraram. Além disso, sabe-se que a grande maioria dos dependentes químicos adultos tiveram o primeiro contato com as drogas ainda na adolescência, iniciando pelas drogas lícitas, como o álcool, passando pela maconha, até chegar em drogas como o crack. Ao descobrir o uso, a família, a escola e outros responsáveis devem proporcionar uma boa conversa, monitorando o comportamento deste adolescente.
A depedencia química é uma doença crônica que leva o caos à estrutura familiar e que pode ser destrutiva ou auto-destrutiva, portanto requer tratamento especializado e a participação de todos os membros da família."


Próximo programa vai estar conosco a escola Três Mártires e Escola Jesus Maria José que irão abordar a orientação de seus alunos na prevenção do uso de drogas


Cláudia Corazza
Carlos Eugênio V. Fortes
Fernando Antonini
Rubens






segunda-feira, 9 de agosto de 2010

6º Programa - Autobiografia "DA LOUCURA DAS DROGAS...AO PODER DE DEUS

No dia 07de Agosto de 2010, o tema debatido foi a Droga e suas conseqüências. Esteve no programa uma pessoa conhecida de nossa comunidade que devido sua autodeterminação e fé, como ele mesmo afirma, conseguiu se libertar da dependência das drogas. Hoje, recuperado, retomou sua vida, é estudante do curso de Administração no CESNORS ,palestra sobre sua vida e relação com a droga e escreveu livro que é uma autobiografia intitulado “Da Loucura das Drogas... ao Poder de Deus.
Segundo Antonio Fernandes Macedo Filho, popularmente conhecido como Sepo, é preciso que a sociedade enfrente com responsabilidade esta problemática. Eis algumas de suas afirmações durante debate:
“Acho que as discussões sobre a questão da drogadição é de extrema importância, para que possamos mostrar claramente os fatores que envolvem as questões de prevenção e também esclarecermos as portas de ofertas, que não estão sendo mostradas, mas que visivelmente estabelece para toda a nossa juventude, o problema da vulnerabilidade a que estão submetidos nossas crianças e adolescentes.Há também o descuidos por parte de algumas autoridades que resistem aos modelos inovadores, que temos tentado apresentar.
O embasamento teórico usado por alguns profissionais da saúde mental está andando na contramão da realidade que vivencia um dependente químico. Portanto é necessário um envolvimento coletivo na tentativa de mudar os recursos oferecidos atualmente, pois eles mesmos nos mostram suas ineficiências.
A situação caótica que infelizmente muitos jovens estão passando nos dias de hoje, devido ao uso de drogas é consequência de uma desorganização estrutural, gerada talvez pela incapacidade de alguns ou pela negligência de outros.
No programa do próximo sábado dia 14 de agosto, continuaremos abordando o tema da Droga, com os convidados Carlos Eugênio Vilarinho Fortes e da Psicóloga Claudia Corazza.












segunda-feira, 2 de agosto de 2010

5º Programa - Nova Lei da Palmadinha

O Tema debatido sábado dia 31 de julho 2010, sobre Lei da Palmada, promulgada pelo Presidente Lula, incorporado ao ECA teve como convidados:

Carlos Eugênio Vilarinho,advogado, Presidente-fundador do CEDEDICA, e presidente do Conselho Municipal Assistência Social. Segundo ele o projeto de lei que o presidente Lula mandou para o congresso, em 13 de julho de 2010, em comemoração aos 20 anos do ECA, estabelece que as crianças e adolescentes tem direito de serem educados e cuidados sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, educação, ou qualquer outro pretexto. A lei ainda define o que seria castigo corporal e tratamento cruel. Assim como define as medidas a serem aplicadas a quem desrespeitar estas determinações, que seriam aquelas medidas previstas no artigo 129, incisos I (encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família), III (encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico), IV (encaminhamento a cursos ou programas de orientação), VI (obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado) e VII (advertência)...

Juliana Barbosa, psicóloga, cursando especialização em Psicologia Clínica pelo Instituto Contemporâneo- Porto Alegre. Juliana atende crianças e adolescentes. Conforme ela a violência física estimula comportamentos agressivos na criança, aumenta a agressividade e leva a criança a desenvolver baixa auto estima, insegurança e sensação de impotência .A relação construída entre pais e filhos não deve ser baseada na agressividade e sim no amor, carinho e na atenção.

Próximo programa abordará a questão da droga, tendo como convidado, Antonio Fernandes Macedo Filho, que escreveu livro “Da Loucura das Drogas ao Poder de Deus”, tratando-se de autobiografia do autor.